Tuesday, 26 May 2009

Um direito, um dever cívico e um sistema arcaico

Diz o Presidente da República que devemos exercer o nosso direito de voto, mesmo que isso signifique não ir ou adiar eventuais férias à volta dos feriados de Junho. Não me parece que muitos seguirão o conselho do Prof. Cavaco Silva.

Ser cidadão implica deveres que nem sempre vêm a calhar e votar no meio de umas possíveis férias é, sem dúvida, um desses deveres. Mas há maneiras de minorar o desconforto do exercício do direito de voto, uns mais fáceis, como mudar o dias das eleições para um dia de semana longe de pontes e feriados, e outros mais modernos de base tecnológica.

Não me parece que votar pela internet ou por SMS seja a solução, pois não garantem que o eleitor vote em total liberdade, uma vez que seria impossível saber se não estaria a ser coagido a escolher este ou aquele candidato ou partido. Na solidão da cabine de voto podemos escolher em segredo, mesmo que tenhamos sido industriados sobre as nossas opções.

Mas porque é que temos que votar na Junta de Freguesia onde estamos inscritos? Porque é que não se cria uma enorme base de dados virtual reunindo todos os cadernos eleitorais, já agora por ordem alfabética do primeiro nome do eleitor, que nos liberte da prisão da mesa de voto pré-determinada? Um caderno eleitoral único com existência virtual permitiria que cada exercesse o seu direito de escolha utilizando uma qualquer mesa de voto, sem ter que ficar em casa para o fazer.

Mantendo-se o sistema eleitoral proporcional por círculos, reconheço que esta forma de votar implicaria uma contagem de votos mais complicada, pois seria necessário criar um mecanismo que permitisse que os votos dos eleitores de Lisboa mas que votaram em Coimbra, por exemplo, fossem considerados para as listas de Lisboa e não para as de Coimbra. Mas não me parece que isso seja inultrapassável, mesmo sem considerar as chamadas "urnas electrónicas".

Viver numa sociedade organizada e democrática implica que participemos na sua vida colectiva e votar é uma das mais importantes formas de o fazermos. Infelizmente, a cada eleição que passa menos somos os que nos pronunciamos sobre o rumo que queremos seguir. Se o pudermos fazer sem acrescentar mais um sacrifício às nossas vidas já tão difíceis, é possível que mais de nós o façamos.

Sunday, 24 May 2009

Europa - a década do umbigo

O Público de hoje apresenta uma óptima matéria sobre o papel e poderes do Parlamento Europeu, prevendo que as taxas de abstenção nestas eleições serão das mais altas da história do PE. Aos mesmo tempo, os chamados partidos marginais ou de protesto poderão ter um resultado importante, devido ao hábito do eleitorado de utilizar as eleições europeias para sinalizar o seu (des)contentamento com os governos nacionais, sem prejuízo para a crescente importância que o PE tem nas nossas vidas.

Embora nada disso seja novo e possa ser explicado por diversas razões, desde a complexidade do sistema institucional da União Europeia até à falta de visibilidade do papel do PE e do impacto das sua decisões no nosso dia-a-dia, a última década tem sido uma década de divórcio entre a União e os Europeus.

A União Europeia, para dar resposta às dificuldades de funcionamento que o alargamento criou, passou os últimos 10 anos empenhada em alterar os Tratados. Primeiro criando uma Convenção que negociou a Constituição Europeia que não resistiu aos resultados dos referendos que a recusaram. Depois negociando o Tratado de Lisboa que aguarda, esperançado, que a Irlanda reconsidere a sua posição.

Poucos serão os que negam a importância e a necessidade das instituições da União Europeia funcionarem eficazmente e ainda menos serão os que acham que o actual sistema institucional pode acomodar 27 Estados membros.

No entanto, por causa das dificuldades que quer a Contituição quer o Tratado de Lisboa têm conhecido, a União Europeia passou a última década a tentar arrumar a casa e esqueceu-se que há uma outra dinâmica, mais importante para o futuro do Processo de Integração Europeia, que não pode ser esquecida: Os Cidadãos.

Para quem viva em algum dos Estados membros que aderiram até 2004, última grande política da União Europeia com impacto imediato e visível na vida dos cidadãos foi a introdução das notas e moedas de Euro no dia 1 de Janeiro de 2002.

Nos últimos anos, a UE tem-se dedicado a contemplar o próprio umbigo, esquecendo-se que um sistema institucional perfeito é apenas um instrumento, fundamental é certo, que pouco ou nada diz aos não-iniciados nas questões europeias.

Veremos o que dirão os Cidadãos Europeus nas próximas eleições. Provalvelmente olharão, também eles, para o próprio umbigo e ficarão em casa.

Wednesday, 20 May 2009

A velhinha, o vestido amarelo e o Príncipe

No meio de uma crise económica e de uma crise política e institucional, há coisas que me fazem lembrar porque é que gosto dos Britânicos. Manda a tradição que a Rainha envie um cartão de parabéns a todos os seus súbditos que tenham 100 ou mais anos de idade, o que é, convenhamos, uma ideia simpática.

Mas Catherine Masters, com a autoridade de quem tem 109 anos, farta de receber sempre o mesmo cartão, escreveu para Buckingham Palace a queixar-se do vestido amarelo com que a Rainha aparecia todos os anos na fotografia e a perguntar se, para o 110º aniversário, poderia Sua Majestade usar outro vestido.

Para sanar tão complicado problema, o Palácio enviou o Príncipe Guilherme a apresentar pessoalmente um pedido de desculpas à Senhora Masters que, ao vê-lo, pediu para lhe dar "um apertão" para se assegurar que era mesmo ele. Depois disso estiveram a conversar sobre a Rainha Mãe e ainda houve tempo para a Senhora Masters explicar ao Príncipe como é que se faz uma verdadeira "shepherd's pie".


Tuesday, 19 May 2009

O Elo Encontrado

Diz a Sky News que o Elo Perdido foi encontrado. Um fóssil de 47 milhões de anos com vagas características humanóides chamada Ida que preenche os passos evolutivos que faltavam para chegarmos aos primatas e aos seres humanos. Antes de Ida o mais antigo Elo evolutivo era Lucy, que tem "apenas" 3.18 milhões de anos.

Embora descoberta há 25 anos na Alemanha, Ida passou os últimos 20 anos na parede de um colecionador amador que não fazia ideia do real significado do que admirava "como um Picasso ou um Van Gogh".

A coincidência de Ida ser apresentada aos seus netos muito afastados no ano em que se comemoram os 200 do nascimento de Darwin é um justo tributo ao homem que muito sofreu por ter razão e que disse que se Ida não existisse, a Teoria de Evolução estaria errada. Não estava.

Friday, 15 May 2009

O preço da qualidade

A vida política britânica está completamente dominada pelo chamado escandalo das despesas, cuja origem é fácil de perceber: para evitar o custo político de aumentar os salários dos deputados, o Parlamento criou um sistema de pagamento de despesas auto-gerido e semi-secreto, que deu origem a toda a sorte de abusos, alguns gravemente fraudulentos e outros, que igualmente fraudulentos, estão para lá da fronteira do ridículo como sacos de estrume ou filmes pornográficos.

Há pelo menos 3 lições que podemos tirar desta triste história e que devemos ter em atenção. Em primeiro lugar, a transparência na utilização dos dinheiros públicos tem várias virtudes, não sendo a menor destas, ajudar à sensates pela vergonha, pelo medo do ridículo ou dos tribunais. Em segundo lugar, a impressão desagradável que os detentores de cargos políticos acham que vivem num mundo deles, desligado da realidade, onde tudo parece ser justificável. Finalmente, a falta de coragem política e de liderança que leva a pagarmos mal às pessoas que ocupam lugares públicos pode resultar na incapacidade de se atrair os melhores e os mais sérios para a causa pública.

Melhor seria assumirmos que o serviço público precisa de pessoas de qualidade e que, sem exageros ou abusos, isso tem um preço. Como dizem os irlandeses "se pagas amendoins, terás macacos".

Sunday, 10 May 2009

Entre uma mulher e um alien...

A estreia do novo filme "Star Trek" lembrou-me uma história que ouvi na Faculdade. Quando a série de televisão começou nos anos 60, os produtores queriam que o Segundo-Comandante da Enterprise fosse uma mulher mas tiveram medo que as audiências achassem pouco credível, ao contrário de um alien que, como todos sabemos, são naturalmente dotados para o posto.

Friday, 8 May 2009

Visite Portugal mas vá ao Supermercado em Londres

O custo de vida em Portugal nunca deixa de me surpreender. O preço praticado nos hotéis, restaurantes, cafés, espetáculos e outros serviços são, genericamente falando, muitíssimo mais baratos que em Londres. Por outro lado, em Londres os supermercados custam significativamente menos do que em Lisboa.

Como eu não preciso de restaurantes ou hotéis para viver o dia-a-dia, mas dificilmente passo sem o Supermercado, concluo que em Portugal gostamos dos que nos visitam mas não dos que cá moram.

Parabéns ao Mestre Orlando

Na passada Segunda-feira, participei no Júri de Mestrado do Orlando Samões, meu orientando na Universidade Católica, que defendeu brilhantemente uma tese intitulada "A Dispersão de Resultados em Hayek". O Júri atribuiu ao agora Mestre Orlando a nota máxima e recomendou o rápido início da sua tese de Doutoramento.

Muitos parabéns, Orlando!

Wednesday, 29 April 2009

A Ilha do Crocodilo

Ontem estive a falar com o Bruno Lencastre, bom amigo que conheci em Timor e que por lá continua. Timor tem uma qualidade estranha pois ainda não conheci ninguém que não tenha saudades do tempo que lá esteve, eu incluído. E a razão é fácil de perceber pelas fotografias, tiradas por mim ou pela Margarida entre Setembro de 2006 e Junho de 2007, dos corais, das montanhas, das praias de Dili, da Ilha do Ataúro e das pessoas .


Monday, 27 April 2009

Um passe com dois nomes

No fim de semana passado fui, a convite da Secção Portuguesa da Churchill Society, à Assembleia Geral da International Churchill Society que teve lugar em Chartwell, a casa de Churchill ao sul de Londres, hoje um museu gerido pelo National Trust.

A assembleia geral em si não teve particular interesse, como, suponho, todas as assembleias gerais de organizações que funcionam. Mas sentado ao meu lado estava um senhor que havia trabalhado com Churchill e que é considerado o maior coleccionador privado de objectos churchillianos.

Tendo perguntado qual o objecto mais valioso da colecção, ele falou-me em relógios e óculos que haviam pertencido a Churchill mas o objecto mais valioso é o passe de acesso à sala onde decorreu a Cimeira de Yalta, perto do fim da Guerra, em nome de Winston Churchill e assinado por José Stalin.

Coabitação à francesa

Há muitos anos, ouvi a seguinte história de quem a assistiu. Durante a coabitação entre o Presidente Chirac e o Primeiro Ministro Jospin, discutia-se uma matéria qualquer importante na União Europeia sobre a qual não havia acordo.

Perante o impasse, o representante britânico disse que uma solução, proposta pelo Presidente Francês, poderia ser adoptada. Imediatamente o representante do Governo Jospin declarou que a isso seria inaceitável.

Perante o espanto de uns e a troça de outros, o impassível francês explicou: "tudo o que o Presidente Chirac diz é importante mas a França nem sempre está de acordo".

Tuesday, 21 April 2009

Portugal, a ONU e os Direitos Humanos

A substituição da Comissão pelo Conselho dos Direitos Humanos da ONU em 2006 foi assinalada como um importante passo na direcção certa, capaz de restaurar a credibilidade das Nações Unidas neste campo, dadas as competências e poderes reforçados do novo Conselho e a forma mais exigente de eleição dos seus Membros. Infelizmente, a realidade encarregou-se de destruir as esperanças.

E se há um problema sério que divide os Países Ocidentais e os Países Islâmicos, que a Conferência de Genebra que está a decorrer veio, uma vez mais, tornar claro, não é esse o maior desafio que a ONU enfrenta na promoção e defesa dos Direitos Humanos, embora seja o mais visível.

O maior problema que a ONU enfrenta é a definição do que são Direitos Humanos. Enquanto que um grupo de Países entende que os Direitos Políticos e Cívicos são mais relevantes, outro grupo de Países defende que os Direitos Económicos, Sociais e Culturais é que merecem maior atenção. Acresce que, ao contrário da questão Israelo-Palestiniana, a questão sobre a relevância dos Direitos importa directamente a todos os Estados membros da ONU.

Portugal está numa posição previlegiada para ajudar a ultrapassar este fosso. Por um lado, pertencemos ao grupo de Países que reconhece a importância fundamental dos Direitos Políticos e Cívicos e temos um bom historial na sua defesa e promoção. Por outro lado, somos o principal protagonista na defesa do reconhecimento jurídico da importância dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais na ONU, através da elaboração, por juristas e diplomatas Portugueses, do Protocolo Opcional à respectiva Convenção recentemente aprovado.

A promoção dos Direito Humanos é uma causa nobre que merece o esforço de todos, sem reservas ou taticísmos e as circunstâncias colocaram-nos em posição de podermos, com paciência, seriedade, esforço e diplomacia, desempenhar um papel de enorme relevo e importância. Um papel que pode resultar num Mundo melhor.

Sunday, 19 April 2009

Legislar, legislar e legislar

Há, em Portugal, uma tradição antiga de legislar sobre tudo e o seu oposto, convencidos que basta alguma coisa aparecer no Diário da República para que a realidade se transforme.

Haverá alguém que saiba quantas Leis e seus derivados estão em vigor em Portugal? Se são necessárias? Se estão bem formuladas? Se são compatíveis entre si? Se estão reguladas? Se são aplicadas? Se servem o propósito que as justificam?

Certamente haverá milhares de páginas bem escritas sobre a utilidade, objectivos e limites da Lei. Seria interessante passarmos da teoria à prática e rever o edifício jurídico existente, eliminando o que pode e deve ser eliminado, regulando o que deve ser regulado e aplicando o que deve ser aplicado.

As nossas vidas colectivas seriam muito mais fáceis.

Thursday, 16 April 2009

Pobres antes e pobres depois da Segurança Social

O Banco de Portugal acaba de publicar um estudo http://www.bportugal.pt/publish/bolecon/docs/2009_1_2_p.pdf que refere que cerca de 20% dos Portugueses vivem abaixo do limiar de pobreza, ou seja, 1 em cada 5 de nós vive com menos 60% do rendimento médio nacional.


Num estudo da União Europeia de 2003, A Situação Social na União Europeia 2003 – Síntese em www.europa.eu.int/comm/eurostat, o número de Portugueses pobres era 27%, mas a metodologia utilizada pelo Estudo do Banco de Portugal e pelo EUROSTAT são diferentes, o que parece explicar a diferença.


Há, no entanto, outro dado no relatório de 2003 que merece consideração. Portugal não se encontrava no fim da tabela do risco da pobreza antes das transferências sociais, sendo ultrapassado pela Irlanda, Reino Unido e Suécia e não se afastava muito da média Europeia a 15. A situação assumia outra gravidade quando consideramos os níveis do risco de pobreza após as transferências sociais, onde passávamos dos referidos 27% para 21% enquanto que a Irlanda passa de 30% para 18%, o Reino Unido de 30% para 19% e a Suécia passa de 28% para 9%.


Éramos, em 2003, o País dos então 15 Estados membros da União Europeia onde a eficácia das prestações sociais era menor ou, por outras palavras, onde, após a acção correctora do Estado, mais gente vivia abaixo do limiar da pobreza. Será que ainda assim é? O estudo do Banco de Portugal não permite tirar conclusões sobre a eficácia do Estado no combate à pobreza, mas deixa claro que "em Portugal, a incidência e a intensidade da pobreza situam-se significativamente acima dos níveis mais baixos observados na Europa."

Thursday, 9 April 2009

Um pouco de auto-propaganda descarada

No próximo dia 4 de Maio, pelas 6 da tarde na Universidade Católica de Lisboa, irei fazer uma palestra para a qual tenho o prazer de convidar o leitor ou leitores destas notas e cuja entrada é livre.

Discutindo os fundamentos: haverá um modelo de sistema político “Made in the EU” para os Estados Membros da União Europeia?

Resumo: O Tratado da União Europeia estatui no Nº 1 do Artigo 6º que “A União assenta nos princípios da liberdade, da democracia, do respeito pelos direitos do Homem e pelas liberdades fundamentais, bem como do Estado de direito, princípios que são comuns aos Estados Membros.”

E acrescenta nos Nº 1 e Nº 2 do Artº 7º que “O Conselho, reunido a nível de Chefes de Estado ou de Governo e deliberando por unanimidade, sob proposta de um terço dos Estados Membros, ou da Comissão, e após parecer favorável do Parlamento Europeu, pode verificar a existência de uma violação grave e persistente, por parte de um Estado Membro, de algum dos princípios enunciados no nº 1 do artigo 6º (…).

Se tiver sido verificada a existência dessa violação, o Conselho, deliberando por maioria qualificada, pode decidir suspender alguns dos direitos decorrentes da aplicação do presente Tratado ao Estado Membro em causa, incluindo o direito de voto do representante do Governo desse Estado Membro no Conselho.”

Mas o Tratado não esclarece o que se deve entender por “liberdade, democracia, respeito pelos direitos do Homem, liberdades fundamentais ou Estado de direito”.

Será que as instituições comunitárias têm uma definição dos princípios a que os Estados membros devem obedecer? Será que essa definição, caso exista, é comum ao Conselho, à Comissão e ao Parlamento Europeu? Haverá, por outras palavras, um modelo de sistema político que as Instituições Europeias consideram ser necessário para que os Estados membros respeitem as suas obrigações legais?

Os Toris e a Europa

Há coisas que não mudam e uma delas é a incapacidade dos Conservadores britânicos em terem uma relação normal com a União Europeia. Há uns tempos, passei a hora do almoço na Chatham House, sede do Royal Institute of International Relations, a ouvir um dos responsáveis do Partido falar sobre o Conselho dos Direitos Humanos da ONU (CDH).

Num relatório equilibrado, os Conservadores elogiam os esforços da ONU na promoção da Democracia e Direitos Humanos no Mundo, sem prejuízo para as dificuldades que o CDH tem conhecido. Mas quando alguém referiu que o Relatório é absolutamente omisso quanto ao papel da União Europeia na promoção da Democracia, nomeadamente na Europa de Leste, considerado pela literatura científica como o processo mais eficaz da história recente, o responsável conservador limitou-se a dizer: "ouço dizer que assim é".

Embora a actual liderança dos Conservadores esteja a fazer um relativo esforço para que o Partido tenha uma relação menos tensa com a União Europeia, a base de apoio dos Tories continua a olhar para o Continente como a fonte de (quase) tudo que corra mal.

Friday, 3 April 2009

O G20 visto de Londres

Terminada a Cimeira do G20, cujo resultado é aparentemente um grande sucesso, ficam 4 reflexões:

1. Há capacidade e seriedade para 20 Países com histórias, tradições, sistemas políticos, religiões e objectivos diferentes encontrarem soluções negociadas e partilhadas. Quem temia que o Multilateralismo falhasse e se regressasse ao Isolacionismo, deve estar contente. Oxalá o espírito desta reunião se repita na ONU, na OMC, na UE, na NATO e nos outros fora internacionais e regionais.

2. O contraste do que se passou em Londres e o que se tem passado no nosso sistema político, onde as diferenças partidárias impedem a procura de soluções negociadas para os sérios problemas que nos afectam, é abissal.

3. A reacção pública ao casal Obama, em particular à Senhora Michelle Obama, é impressionante. Para além da quebra de Protocolo - aparentemente inédita - da Rainha ter abraçado a Primeira Dama (e que tem alimentado um sem número de cometários), a visita da Senhora Obama a uma escola, onde as crianças reagiram como se uma estrela de Hollywood tivessem entrado na sala, não deixam dúvidas sobre o seu carisma.

4. A forma como a comunicação social relatou as manifestações de Londres diz muito sobre os critérios que guiam quem nos deve informar. Do simples exagero à mais descarada manipulação, o que se viu nas televisões e se leu nos jornais teve pouco ou nada a ver com o que se passou em Londres.

Monday, 30 March 2009

Lisboa do Rio

Maria Filomena Monica, no seu Passaporte (Aletheia, 2009, p.p. 41 e 42) fala, com elegância literária, da luz de Lisboa e da beleza da cidade vista do rio. Porque MFM tem razão, junto algumas fotografias de Lisboa tiradas pelo Miguel Andrade, pelo Henrique Duarte e pela Cláudia Sá e Cunha a bordo do meu "Corto", que também tem direito a fotografia.









Thursday, 26 March 2009

O Mundo dos outros

Há uns tempos estive no lançamento do programa das comemorações dos 200 anos do papel do Reino Unido nas Guerras Napoleónicas, que começa com a presença do Marechal Wellington em Portugal em 1808 e termina com a derrota de Napoleão na Batalha de Waterloo em 1815.

O programa de comemorações é presidido pelo General Sir Evelyn Webb-Carter, cujo último posto foi ser comandante da Guarnição do Palácio de Buckingham, e a sala onde foi feita a apresentação formal estava cheia de Lordes, Sirs, Ladies, Generais e Historiadores.

Uma dessas Ladies, depois de falármos sobre Portugal, perguntou-me se eu estava bem instalado em Londres e se tinha ajuda para tratar da casa. Tendo-lhe dito que sim, ela ficou contente e comentou que essa ajuda é muito importante, pois a casa, os cães e os cavalos dão muito trabalho! Escusei-me dizer-lhe que a ajuda que tenho é uma Senhora que vai lá a casa duas tardes por semana, que não tenho cães e que os cavalos não caberiam...

Thursday, 19 March 2009

Como se constroi um F1

Hoje, por razões profissionais, passei o dia na sede da Williams, 45 minutos a leste de Londres.

Depois das boas vindas, fomos ver o novo carro para esta época que, conforme me explicaram, e por imposição da FIA, tem umas saias posteriores muito mais pequenas o que provocará menos turbulência, permitindo que os carros que vêm atrás possam aproximar-se mais para ultrapassar. Também para aumentar a competitividade da F1, os carros terão um booster que lhe permite, durante um máximo de 6 segundos por volta, aumentar a potência em 10%. Os carros de F1, ao contrários dos nossos, são tanto mais seguros quanto mais depressa andarem, pois a aerodinâmica do desenho "agarra-os" à pista.

Depois de andarmos à volta do carro, fomos visitar a Fábrica da Williams. A marca desenha e fabrica todos os 3 mil componentes do carro com excepção do motor. Começámos por visitar a parte de metais, onde cada peça é desenhada e produzida por computador ou manualmente. A evolução tecnológica é impressionante: em 3 anos umas das peças da suspensão passou a pesar metade e a suportar o dobro da pressão, graças a utilização de novos materiais e de novos desenhos.

Do outro lado da fábrica encontramos a parte dos "plásticos", onde se desenham e fabricam as partes visíveis dos carros e a célula de segurança do piloto. Esta é feita para dissipar a energia gerada num impacto por todo o carro menos no cockpit e resiste a um impacto directo de até 8 toneladas. O espaço é mínimo e um piloto não deve pesar mais de 65kg.

Entre a parte dos metais e a parte dos "plásticos" fica a zona de montagem dos carros. Como a época começa dentro de 2 semanas na Austrália, a Williams estava a empacotar o material para a viagem. Dentro de um sem número de caixas numeradas vão 28 toneladas de equipamento, incluíndo 3 carros. Sempre que chegam a uma pista, a Williams começa por decorar as respectivas boxes, incluíndo a pintura do chão e das paredes, para que tudo esteja sempre igual e nada fique fora do seu sítio: quando se tem que mudar 4 pneus em segundos, não se pode andar à procura da porca!

Depois de visitar a fábrica, fui cumprimentar o famosíssimo Jack Williams. Sentado na sua cadeira de rodas, recebeu-me muito simpaticamente e conversámos uns 10 minutos sobre a razão que lá me levava e sobre... as Guerras Peninsulares! Jack Williams é um grande fã do Marechal Wellington e queria saber se em Portugal ainda falamos nele. Gostei de conhecer uma pessoa que me lembro de ver na televisão a vida toda.

A visita foi interessantíssima e fiquei com grande admiração pelo esforço de investigação e desenvolvimento gerado pela F1 que, mais cedo ou mais tarde, acaba por reforçar a segurança, eficácia e economia dos nossos carros.

Wednesday, 18 March 2009

Coisas que se ouvem

Um casal brasileiro que parecia estar em lua de mel perante um esquilo em Hyde Park: "Oh benzinho, isto é tão primeiro mundo que até os ratos são bonitos".

Um par de americanos num autocarro com sincero espanto: "cheguei há uns dias e tentei comprar uma arma. Imagina que é proibido!".

Um criança no metro a dizer mãe, mãe, mãe, etc. A mãe, depois de responder a um monte de perguntas que não calaram a criança, e perante mais um "mãe", diz: "e pensar que eu fiquei tão feliz a primeira vez que me chamaste isso..."

Thursday, 12 March 2009

O Estado, o Provedor e Nós

Há 8 meses que esperamos a designação do próximo Provedor de Justiça e, aparentemente, iremos esperar mais uns tempos. Não parece haver grande pressa para preencher o lugar que, no nosso ordenamento jurídico, tem como única função nos proteger dos abusos do Estado e dos seus Agentes.

Não vou sequer falar na desorganização da Assembleia da República, nomeadamente dos dois principais partidos políticos, que deixaram a situação chegar a este estado. Mais importante é o que esta história nos ensina sobre o nosso sistema político:

1) Numa altura em que o Mundo atravessa uma das piores crises de que há memória e que seria aconselhável ultrapassar as divisões partidárias e colocar o nosso bem-estar colectivo no centro das preocupações, o PS e o PSD não parecem serem capazes de se entenderem sobre nada.

2) Num País onde a sociedade civil é fraca e há pouca tradição de participação cívica dos Cidadãos, mais importante é a existência do Provedor de Justiça. No entanto, os principais partidos políticos parecem viver confortavelmente com a sua quase ausência. Parece ficar clara a importância que os dois Partidos atribuem à defesa dos direitos dos Cidadãos.

A não nomeação de um Provedor de Justiça não é uma questão menor. É, como a Justiça, mais uma prova do pouco que contam os instrumentos de protecção dos nosso direitos.

Sunday, 8 March 2009

Um País quase como os outros

Portugal - Um Retrato Social, de António Barreto e Joana Pontes deixa um sentimento misto. Por um lado, devemos estar colectivamente orgulhosos com o tanto que Portugal melhorou nos últimos 40 anos: de uma sociedade pobre, fechada, rural, analfabeta e desigual, somos hoje uma sociedade muito mais rica, cosmopolita, citadina, educada e igual. Por outro lado, somos um País ineficiente, que produz pouco e mal, gasta muito para os resultados que obtém e falha onde não podia falhar, nomeadamente na Justiça e na Educação.

Os vários exemplos do que corre bem em sectores que genericamente correm mal explicam-se pela autonomia e pela responsabilização. Escolas e serviços de saúde que contratam objectivos com os respectivos Ministérios e que se auto-organizam obtêm resultados muito superiores aos obtidos pelos que são geridos centralmente.

Mas o que fica é o quão difícil é viver em Portugal: horas perdidas no trânsito; ineficiências várias e custo de vida elevado são exemplos do nosso calvário diário, tão bem ilustrado por uma Senhora que se levanta às 5 da manhã, leva os filhos à escola às 7, começa a trabalhar às 8H30, volta a casa 12 horas depois, faz o jantar, arruma a casa, vê um pouco de televisão e deita-se à 1 da manhã do dia seguinte, para, 4 horas mais tarde, recomeçar o seu interminável dia.

Portugal é, sem dúvida, um País muito melhor do que era. É, como dizia há uns anos António Barreto, o mais pobre dos Países ricos. Um País quase como os restantes Países europeus. Mas esse quase obriga-nos a um quotidiano duro e cansativo, desanimado e deprimido.

O mundo à nossa porta

Diz-se que na chamada Grande Londres, onde vivem cerca de 10 Milhões de pessoas, falam-se 200 línguas diferentes todos os dias e, andando na rua, vemos gente de todas as partidas do Mundo, restaurantes para todos os gostos, roupas de todas as latitudes e tradições e Igrejas de todas as denominações imagináveis.

E o Governo Britânico procura activamente acomodar essas diferenças, respeitando-as. Por exemplo, os Sikh, cuja religião obriga a usar turbante, estão dispensados de usar capacete quando andam de mota.

Embora os ataques terroristas (e, agora, a crise económica) tenham afectado a forma como olhamos uns para os outros e aberto um grande debate sobre a política multi-culturalista britânica, o Mundo convivem pacifica e respeitosamente todos os dias nas ruas de Londres.

Monday, 2 March 2009

A propósito da morte de Nino Vieira

No ano em que trabalhei no Ministério dos Negócios Estrangeiros, conheci 3 Chefes de Estado lusófonos: o Presidente José Eduardo dos Santos, que conheci em Luanda na visita oficial do Ministro Freitas do Amaral a Angola; o então Presidente Xanana Gusmão que conheci muito superficialmente na tomada de posse do Presidente Cavaco Silva e, depois, melhor, quando vivi em Timor entre 2006 e 2007; e o Presidente Nino Vieira, que conheci igualmente por ocasião da tomada de posse do Prof. Cavaco.

Cada um causou-me uma impressão distinta. Do Presidente J. Eduardo dos Santos lembro-me principalmente do tom de voz baixo e calmo com que dominava a sala; no Presidente Xanana marcou-me a óbvia e enorme preocupação com o bem-estar dos Timorenses misturada com alguma ingenuidade impulsiva. O Presidente Nino Vieira deixou-me a imprensão de ser capaz de enorme violência.

Não sei se essa impressão seria justa, mas a morte de Nino Vieira, "varrido pelos tiros dos soldados", segundo o porta-voz do exército Guineense, parece confirmá-la.

Sunday, 1 March 2009

Objecto inútil

Um dos objectos mais inúteis que se pode ter em Londres é um carro. Paga-se £8 por dia para se andar no centro da Cidade, não há lugar para estacionar ou, quando há, custa um dinheirão e, principalmente, o trânsito está sempre parado.

Três exemplos: ontem, fomos a Cambridge que, segundo o GPS, dista 95.7 KM da nossa porta sempre na autoestrada M11, mas levámos 40 min até chegarmos à dita; há umas semanas fomos ao IKEA e uma distância de não mais de 10 KM levou-nos 1 hora; finalmente, uma pessoa que conheço foi a Cardiff, que fica a 3 horas de distância na M4, mas a viagem durou 5 horas, duas das quais a tentar sair de Londres.

Se se pretender andar por Londres, utilize-se uma mota, uma bicicleta, o metro, os sapatos, patins, comboios, mesmo o autocarro ou qualquer outra forma de transporte, mas nunca um carro.

Imagino que o mesmo seja verdade para quem vive fora das grandes Cidades portuguesas e tenha que ir trabalhar todos os dias, com a eventual diferença do tamanho da rede do metro (onde o há), e do amor que nós temos aos nossos carros...

Friday, 27 February 2009

Todas as noites desde 1340

Quarta-feira à noite fui com a Margarida a uma recepção no Museu dos Fusileiros Reais na Torre de Londres, organizada pelos "Friends of the British Cemetery, Elvas, Portugal", onde estão enterrados os soldados britânicos que morreram na Batalha de Albuera, durante as guerras peninsulares. A recepção destinava-se a obter fundos para a recuperação da Capela de S. João da Corujeira, à entrada do cemitério.

Para além dos discursos costumeiros destas ocasiões, esta recepção teve dois momentos altos: o primeiro foi uma rifa onde, entre vinhos, livros, discos e estadias em hotéis em Portugal, podia-se ganhar... uma sessão de um tratamento para clarear os dentes em Elvas!!!! Imagino o pobre bife que ganhou este maravilhoso prémio a caminho de Elvas para ir ao dentista. Vai sair-lhe caro o sorriso novo.

O segundo momento alto foi termos assistido à Key Ceremony, quando a Torre de Londres é fechada para a noite. Não vou descrever a cerimónia, cheia de significados e momentos peculiares, mas aconselho a verem o link em baixo que até videos tem. Posso dizer que vale a pena assistir e que, como em todas as cerimónias militares, há uma dignidade inerente que não deixa ninguem indiferente.

http://www.trooping-the-colour.co.uk/keys/home.htm

Tratando-se do Reino Unido, há sempre qualquer particularidade a acrescentar. Neste caso, é o facto de a cerimónia ter lugar todas as noites há quase 700 anos e, tanto quanto se sabe, só em Setembro de 1942, quando a Torre foi atingida por 3 bombas incendiárias alemãs a meio do processo, houve um atraso de 3 minutos, o que levou o responsável a escrever ao Rei a pedir desculpas. O Rei, considerando que o atraso se deveu a acção inimiga, não o castigou mas recomendou que não voltasse a acontecer.

Monday, 23 February 2009

Partir por acaso e mudar o Mundo

Hoje à hora do almoço fui ver uma exposição no Museum of Natural History comemorativa dos 200 anos do nascimento do Darwin, chamada "The Big Idea".

A exposição começa com a viagem do Beagle, mostrando o que Darwin viu nos 5 anos que deu a volta ao mundo e vai até à publicação da "Origem das Espécies", explicando no que consiste a "Teoria da Evolução" e o debate que (ainda hoje) provoca mais do que acaloradas discussões. Aliás a exposição critica o "Design Inteligente" por não ser científico e cita o Papa João Paulo II que disse que a Teoria da Evolução "é mais do que uma hipótese" e fez uma vigorosa defesa do Método Científico.

Um aspecto que aparece na exposição (embora muito ao de leve), é o papel do acaso (ou do destino). Darwin tinha 22 anos quando partiu no Beagle, tendo sido escolhido porque não havia mais ninguém que pudesse fazer aquela viagem. E por pouco que não ficou em terra, já que o seu Pai não lhe deu autorização para embarcar pois queria que Darwin fosse Pastor da Igreja de Inglaterra. Só a influência do Tio de Darwin o fez mudar de opinião. Imagino que se não tivesse sido Darwin, outros teriam chegado às mesmas conclusões (havia outros estudos que apontavam na mesma direcção), mas o que é certo é que não foram outros que explicaram como é que a vida na Terra evolui.

Mas, acima de tudo, a exposição vai-nos apresentando, com base no diário da viagem, nos cadernos de notas e nas cartas que Darwin escreveu, a evolução das perguntas e das respostas que levaram a novas perguntas e a novas respostas e assim por diante até mudar o Mundo.

Sai-se do Museu maravilhado pela excelência do Método Científico, esmagado pelo brilhantismo de Darwin e a matutar na pergunta que a Exposição nos coloca: Se chegassemos a uma resposta que contraria tudo o que a Sociedade acredita, o que fariamos?

Friday, 20 February 2009

Onde andamos nós



A fotografia da Terra à noite, uma montagem feita pela NASA - não há nuvens e nunca é noite em toda a Terra ao mesmo tempo - mostra como nos espalhamos no Mundo (mesmo tendo em consideração que há zonas onde não haverá luz eléctrica): Europa (mais ocidental do que oriental), Norte de África, Mediterraneo Oriental, America do Norte (mais Estados Unidos do que Canada), America Central, Sudeste do Brasil, India, Japão e Sul da China. Há também cidades na Austrália, África do Sul e Nova Zelandia. E ainda duas linhas de luzes no Egipto e na Rússia que seguem o Nilo e o percurso do Transiberiano.
Por outro lado, há zonas com pouca actividade humana, como África, Norte do Canada, estepes russas, interior da América do Sul, interior da Austrália e o Sudoeste Asiático.
Estamos colectivamente onde podemos viver melhor, agregados nas cidades e perto de vias de comunicação. Somos criaturas de hábitos.

Thursday, 19 February 2009

Queijos e mais queijos

O melhor presente de Natal que recebi em 2008 (com a devida vénia para todos os outros) foi uma prova de queijos, oferecida pela minha Mulher, como se de uma prova de vinhos se tratasse. Para quem tiver curiosidade, ver http://www.nealsyarddairy.co.uk/cheeseclasses.html

Havendo vários temas à escolha, inscrevi-me na "Science of Tasting" que explica os princípios que devemos obedecer quando comemos queijos. A prova foi dirigida por um jornalista que escreve sobre queijos e vinhos e à nossa frente estava um prato com blue cheese, 2 cheddars, brie, um espécie de queijo da serra (mas não tão bom) e um queijo branco e 5 copos contendo vinho branco, vinho tinto, vinho doce, sake e cerveja.

Depois de nos explicar a composição quimica básica dos queijos e o que faz um queijo ser diferente dos outros, fomos todos devidamente enxovalhados por (1) comermos todos os tipos de queijo com vinho tinto e (2) servirmos queijos depois ou no lugar da sobremesa.

Quanto a (1) aprendi que os queijos muito fortes devem ser comidos com vinho doce ou mesmo com cerveja para que os componentes quimicos do queijo e do vinho tinto não se choquem e que a capa branca dos queijos como o brie e o vinho tinto não se toleram mas que o "miolo" e o tinto são muito amigos. Sake vai muito bem com cheddars e vinhos brancos são óptimos com Queijo da Serra e similares.

Quanto a (2) aprendi que uma tábua de queijos será muito melhor se for servida como entrada e não depois de termos assaltado os sentidos com entrada, prato e sobremesa.

Aprendemos também que queijos fumados são queijos que tiveram problemas (não de qualidade mas de sabor) no processo de fabrico e que se não fossem fumados, não saberiam bem.

Um noite muito bem passada!

Tuesday, 17 February 2009

Ir sabendo de Portugal

Vivendo fora de Portugal a maior parte desta decada, habituei-me a ler os jornais na internet e, muitas vezes, a ler igualmente os comentarios de outros ciber-leitores. Como e natural, ha comentarios com os quais concordo mais, outros com que concordo menos e alguns que nao concordo de todo. Mas o que mais me espanta e a quantidade de comentarios que se limitam a insultar quem escreveu antes. Como se alguem discordar de alguem fosse uma ofensa pessoal e nao o facto, normalissimo, de haver mais do que uma opiniao sobre o mesmo assunto.

Sem razão ou com ela

Não sei bem porque comecei este blog, nem espero que alguem o siga. Servirá para escrever o que me apetecer quando me apetecer. Mas há coisas que, de tempos a tempos, gostaria de dizer, sem me preocupar com regularidade ou temas.

Bem vindo, caro leitor (se houver um) ou leitores (se houver mais do que um) aos comentários, histórias e fotografias que, da Velha Albion, enviarei.