Tuesday, 26 October 2010

O longo suicídio


Sem negar a necessidade de se criar um mecanismo permanente de apoio ao Euro ou mecanismos jurídicos e institucionais que punam os Estados que violem as regras, a ideia de abrir uma nova negociação dos Tratados da União Europeia parece-me absurda.

A União levou quase 10 anos a negociar e aprovar o Tratado de Lisboa e passou por crises sucessivas no processo de ratificação, tudo isto numa altura em que a situação social e económica dos Europeus estavam bem melhores do que estão agora e que a larguíssima maioria dos Governos nos Estados membros eram tradicionalmente favoráveis ao processo de integração. Nenhuma dessas condições existe hoje.

Não seria melhor, como propos a Comissão, encontrar uma solução dentro do actual quadro jurídico, sem correr o risco de perder outra década a olhar para o próprio umbigo em novo exercício de revisão dos Tratados e concentrar esforços em tornar a União num instrumento que seja e mostre ser útil para os Cidadão da Europa?

Monday, 25 October 2010

Um pirilampo ao fundo do túnel?


Diz a CEEJ - Comissão Europeia para a Eficácia da Justiça, um organismo do Conselho da Europa, que Portugal é o segundo Países europeus com a pior taxa de conclusão de processo judiciais, o que não é novidade para ninguém e que tem resultado na condenação sistemática do nosso País por violação do Artº 6º da Convenção Europeia dos Direitos do Homem que proíbe a morosidade da justiça.

O que é novidade é saber que actualmente o sistema de justiça tem sido capaz de estancar esse flagelo do atraso na administração da justiça. Segundo a CEEJ, o número de processos que entram no sistema é praticamente igual ao número de processo que termina (99,1%).

Não se trata ainda de uma luz ao fundo do longo e escuro túnel onde a justiça portuguesa se encontra. Mas é, talvez, um pirilampo solitário que poderá indicar um caminho a seguir.

Do azar ao ridículo


Richard Shelby, Senador Republicano do Alabama, tem impedido a nomeação do Prof. Peter Diamond, Full Professor no MIT (na fotografia), para um lugar no Board da Federal Reserve argumentando que o candidato proposto pelo Pres. Obama não tem experiência e conhecimentos suficientes. Para azar do Sen. Shelby, o Prof. Diamond ganhou o Prémio Nóbel da Economia em 2010.

Poderia a história ter ficado por aqui, mas juntando o ridículo ao azar, o Sen. Shelby declarou que embora o Nóbel seja um prémio prestigiado, não é a Academia Sueca que nomeia os membros da Federal Reserve Board.

Nada como uma eleição para que o bom senso tire umas longas férias.

Sunday, 24 October 2010

Coisas boas na vida


Numa cidade com mais de 6 milhões de carros, o estacionamento em São Paulo seria absolutamente impossível sem a figura sempre presente e apreciada do manobrista.

À porta de restaurantes, hotéis, supermercados ou ginásios, basta chegar, entregar as chaves do carro ao manobrista, receber um recibo e o carro desaparecer para ser guardado algure sem mais pensarmos no assunto. Quando nos vamos embora, pagamos uma taxa que varia entre os 10 e os 20 Reais (4 a 8 Euros) e o carro aparece à nossa frente pronto para partir.

Não seria um sinal de superior civilização se tivéssemos este serviço no nosso Portugalinho?

Saturday, 23 October 2010

Friday, 22 October 2010

O tempo passa para mim


Nas minhas caminhadas memorialistas em São Paulo, resolvi comprar a versão brasileira da revista Mad, uma revista satírica de que eu muito gostava quando tinha uns 12 ou 13 anos e que está exactamente igual ao que eu me lembrava. Lamento informar que achei a revista péssima.

Assim se foi um dos meus mitos de infância.

O tempo passa para todos


Outro dia parei à frente de uma banca de jornais e estive a olhar para os livros de quadradrinhos que lia quando cá vivi. Lá estavam os heróis da Marvel, a Turma da Mônica (com acento no O) e a Luluzinha, de quem eu gostava menos. E, ao lado, as versões adolescentes das duas últimas.

O tempo não pára, nem para a menina baixinha, com os dentes de fora (que já não os tem) e com o coelhinho sempre em riste.

Thursday, 21 October 2010

Afinal, o copo está só meio cheio


Como alguns saberão, o Paul Mccartney vem cantar a São Paulo no final de Novembro. Como o primeiro concerto esgotou num instante, foi marcado um outro cujos bilhetes foram colocados à venda hoje às 8H00 da manhã. E, portanto, às 7H50 plantei-me à frente do computador para comprar dois bilhetes.

Às 8h00 em ponto as vendas começaram e eu preenchi o formulário, orgulhoso de já ter o CPF (ver dois posts abaixo) que, certo como 2+2 serem 4, lá vinha nos campos obrigatórios. Depois escolhi dois bilhetes e preenchi os dados do cartão de crédito. Pronto, pensei eu contente a carregar no botão de compra, já está! Vou ver o Paul Mccartney! Mas, eis que surge um novo ecrã a dizer que a minha compra não foi concluída, pois não se aceitam cartões de crédito emitidos fora do Brasil... Como ainda não tenho conta cá, pois sem o CPF não a podia abrir, lá se foi o Paul Mccartney juntamente com a ilusão que já era uma pessoa no Brasil.

Afinal, até semana que vem, serei só meia pessoa nas Terras de Vera Cruz.

O Homem sem Rosto

Pela primeira vez em muitos posts, este não tem nenhuma imagem alusiva pois há privacidades que devemos respeitar. Este post só serve para dar os parabéns a quem tratou e permitiu que se tratasse do chamado "Homem sem Rosto" e a desejar que este tenha uma vida melhor.

Burocracias


No Brasil, quem queira comprar um telemóvel, bilhetes de cinema na internet, bilhetes de avião, já para não falar em abrir uma conta de banco ou arrendar uma casa precisa do CPF - Cadastro de Pessoa Física, que corresponde ao nosso Cartão de Contribuinte. E, tão importante ou mais, as nossas coisas que estão armazenadas em Londres não podiam ser embarcadas a caminho de São Paulo sem apresentarmos o nosso omnipotente CPF.

Ontem, depois de 18 dias a sofrer sem nada poder fazer a não ser dar com as pobres pessoas que trabalham comigo em doidas, recebemos o nosso CPF.

Agora já somos pessoas!

Tuesday, 19 October 2010

BBC Radio 4


Estando hoje particularmente saudoso de Londres, pus-me a ler o blog do Tiago Araújo, amigo recente que trabalha na nossa Embaixada em Londres e que recomendo pela graça inteligente e erudição invejável.

Entre várias experiências da sua vida em Londres, o Tiago fala na BBC Radio 4, a versão mais exigente da TSF já que, ao contrário da nossa radio-jornal, a BBC Radio 4 não tem música nem transmissões de futebol. Só há notícias, debates e o tempo, sempre com o mesmo tom de voz, sem nunca ceder a qualquer emoção. Nos vários anos em que a BBC radio 4 me fez companhia enquanto eu me barbeava de manhã, teria achado normal ouvir qualquer coisa como "metade da população do País X morreu. E agora o tempo".

E era o tempo que mais me divertia na BBC radio 4. Num país obcecado pelo "weather report", a BBC radio 4 limita a sua apreciação do tempo a um "miserable as always" ou "bizzarely sunny". A excepção é o shipping forecast (informação para os navegantes) que, durante 1 hora antes da meia-noite, percorre toda a costa das Ilhas Britânicas com a mais completa e minuciosa informação possível usando linguagem técnico-marítima, do género "near-gale changing to gale, force 9, from northeast to east" que só os iniciados percebem.

Não admira que na última noite dos Proms se cante alegremente "Britain Rules the Waves". Na BBC radio 4, assim é.

Sunday, 17 October 2010

Av. Angélica, 736 - Ap. 81


Esta manhã, na companhia da Margarida, fui visitar o bairro onde vivi entre 1975 e 1981 em São Paulo.

O nosso prédio, de seu nome Alice de Sampaio Figueiredo, no número 736 da Avenida Angélica, continua tal qual me lembrava dele. E as nossas janelas, no penúltimo andar do lado esquerdo na fotografia, estão igual ao que eram.

Quanto ao bairro, está mais murado e gradeado, o Círculo Macabi - onde eu fazia ginastica - está com um ar meio abandonado, a academia de Judo - onde ganhei 2 medalhas em campeonatos locais - parece fechada mas o supermercado continua próspero e a banca de jornais onde comprava gibis (banda desenhada em "brasileiro") e figurinhas (cromos na mesma língua) ainda se encontra no mesmo lugar.

Foi divertida esta visita à memoria dos meus 7 aos 14 anos de idade, anos de que guardo boas recordações e cujo palco não mudou muito nas últimas 3 décadas.

Saturday, 16 October 2010

Embraer


Ontem, por razões profissionais, passei o dia na fábrica da Embraer em São José dos Campos, a pouco mais de 100Km de São Paulo.

Depois de uma reunião com um dos Vice-Presidentes da empresa onde se discutiu a presente situação e futuro da Embraer e algumas oportunidades de cooperação entre empresas portuguesas e empresas brasileiras do sector, fomos visitar o Centro Histórico da Embraer e, mais interessante, o hangar onde os aviões são terminados. Aí, num espaço gigantesco muito limpo e organizado, pude ver 5 aviões em diferentes fases de acabamento, desde a instalação da asa até testes dos lemes de profundidade.

Seguidamnente fomos a outro hangar ver o produto acabado onde, na companhia de um técnico da Embraer e sentado na cadeira do co-piloto do Embraer 195, o maior avião produzido em S. José dos Campos, fui apresentado a todos os sistemas e controles do avião. Os modernos aviões civis são altamente automatizados e computadorizados, com backup para as principais funções e processos, mas o elemento humano continua a ser fundamental, nomeadamente para o caso de as coisas correrem mal.

Foi um dia fascinante, principalmente para quem, como eu, quando era pequeno queria ser piloto de aviões.

Tuesday, 12 October 2010

Museu da Língua Portuguesa


Aproveitando o feriado de Nossa Senhora da Aparecida, a Margarida e eu, juntamente com algumas largas dezenas de brasileiros, fomos visitar o Museu da Língua Portuguesa.

Situado no antigo edifício administrativo da Estação da Luz em São Paulo, o Museu ocupa 3 andares, dividindo-se por uma área para exposições temporárias, uma exposição permanente sobre a evolução e as influências sofridas pelo português que se fala no Brasil e um filme e apresentação multimédia sobre a importância da língua e a sua versatilidade.

Para além da exposição permanente, que é muito bem apresentada e pedagógica, pudemos ver uma óptima exposição temporária dedicada a Fernando Pessoa, os seus heterónimos e outros personagens menos conhecidos que Pessoa criou. A exposição, utilizando meios audiovisuais, apresenta Fernando Pessoa e cada um dos heterónimos, o que os distinguia e algumas das mais importantes páginas de cada um.

O Museu da Língua Portuguesa de São Paulo é um excelente museu dedicado a uma língua viva e sempre em evolução e merece bem uma longa visita.

Parabéns


Depois de uma longa e difícil campanha, Portugal acaba de ser eleito para o Conselho de Segurança da ONU, mérito da nossa diplomacia e do papel de coordenação do Secretário de Estado João Cravinho que souberam fazer passar os nossos argumentos.

Uma óptima notícia que bem merecemos.

Monday, 11 October 2010

Estranhas latitudes


Desde que cheguei a São Paulo, só houve um dia bom e solarento. De resto tem estado um tempo nublado, frio e chuvoso. Quem disse que o Brasil é um País tropical?

Sunday, 10 October 2010

Coisas que se ouvem V


No concerto da última noite dos Proms em Hyde Park, havia como sempre, uma enorme fila de senhoras à espera da sua vez para usarem as casas de banho. Ao contrário, e também como de costume, na casa de banho dos homens não se esperava nem um segundo para entrar.

Estando vários de nós a tratar das nossas respectivas vidas, entra pela casa de banho um rapaz a correr que grita com ar de alívio: Thank God we are man!!!

Nunca tinha visto tamanha unanimidade e satisfação no reconhecimento desta importante vantagem de género.

O verdadeiro sacrifício


Quantos de nós arriscariamos 11 anos de prisão em nome da liberdade?

Saturday, 9 October 2010

A olhar para o precipício


Esperemos que o bom senso e o Sentido de Estado prevaleçam.

Botas de Borracha


Na passada Quinta-feira caiu a primeira grande chuvada em São Paulo desde a minha chegada. O céu fica completamente tapado com nuvens negras e baixas e, de repente, cai uma cortina de água que deixa a cidade (ainda mais) intrasitável, com inundações várias e rios a correrem pelas ruas.

Estava eu a ver a chuva da janela do meu gabinete na AICEP, quando noto olhares preocupados das pessoas que lá trabalham. Não se tratava, como eu, de admiração pelo espetáculo da natureza mas de dúvida se poderiamos ir ou não para casa. Segundo me explicaram, o local onde o escritório fica tem um baixio à porta que concentra a água que desce a rua das duas direcções, o que tem isolado a AICEP do mundo nos dias de maiores chuvadas.

Primeira compra para ter no escritório: umas botas de borracha!

Friday, 8 October 2010

Os novos reforços da Portuguesa de Desportos


Ontem, por sugestão e na companhia do Paulo Machado, director do Turismo em São Paulo, participei no Almoço das Quintas da Casa de Portugal, que se realiza todas as semanas (como o nome indica, às quinta-feiras) há 65 anos.

Para além de ter conhecido empresários de origem portuguesa e brasileiros importantes na comunidade empresarial e política paulista e nacional, sentei-me na mesa do convidado de honra, o Zico.

No fim do almoço, o Presidente da Casa de Portugal ofereceu-nos uma camisola da Portuguesa de Desportos e tirámos a tradicional fotografia dos novos reforços.

Mesmo para quem não gosta de futebol, como é o meu caso, o Zico é uma referencia de sempre e foi muito interessante ouvi-lo contar histórias da sua vida pessoal e profissional.

Deputado Tiririca


O candidato a deputado federal do Estado de São Paulo Tiririca, o palhaço de profissão na imagem, conseguiu, com o slogan "Vote Tiririca. Pior do que está não fica", o melhor resultado da eleição com 1 milhão e 300 mil votos.

No entanto, a lei eleitoral brasileira exige que os candidatos escrevam uma declaração manuscrita a comprovarem que sabem ler e escrever e, agora, uns peritos em grafia vieram questionar a veracidade da declaração de Tiririca. Segundo estes peritos, há, pelo menos, duas letras diferentes na declaração de 3 linhas: alguém escreveu o texto que Tiririca terá assinado. Perante as dúvidas, o Tribunal reunirá no dia 14 para decidir se Tiririca é ou não analfabeto.

Dá vontade de dizer "mas que grande palhaçada!"

Wednesday, 6 October 2010

Paula Escarameia


Morreu, aos 50 anos, a Paula Escarameia.

Conheci-a pessoalmente quando fui Subsecretário de Estado no MNE e pedi os seus sábios conselhos sobre as linhas gerais da política externa de Direitos Humanos e Democratização que estava a desenhar. Depois disso fomos mantendo contacto na Universidade Católica.

Anos mais tarde, combinámos, com a Raquel Vaz Pinto, apresentar um painel sobre Timor, assunto que ela dominava e que sobre o qual eu tenho algumas ideias incipientes, no Congresso da Associação Portuguesa de Ciência Política mas eu, por razões várias, não pude comparecer. A Paula compreendeu perfeitamente e apresentou, diz-me quem lá esteve, um paper interessantíssimo, o que só surpreendeu quem não a conhecia. Não voltámos a trabalhar juntos. Vou ter saudades da sua inteligência aguda e da sua personalidade modesta.

Portugal perdeu uma das vozes mais sólidas nos assuntos dos Direitos Humanos que tinha.

A nossa casa em São Paulo


Encontrámos ontem a nossa casa em São Paulo. A Margarida, com a ajuda da Joana, uma amiga de uma amiga da minha cunhada Inês que trabalha numa "corretora" - imobiliária em "brasileiro" -, foi ver umas 4 ou 5 casas e, à hora do almoço, tinha encontrado um andar mobilado de que muito gostámos. Como somos os inquilinos ideais - 40ish; no children; no pets; no smokers - a negociação com o senhorio, conduzida pela Joana, foi rápida e eficiente e ainda conseguimos um abatimento na renda.

O prédio fica na Vila Nova Conceição, paredes-meia com o Parque do Ibirapuera, o grande parque da cidade de São Paulo que foi (mais ou menos) inspirado no Central Park em NY, a uns 4KM do meu escritório.

Vamos agora tratar das burocracias, fazer os contratos da água, luz, gás, telefone, internet, etc. e comprar meia dúzias de coisas que nos aguentem até chegar a nossa mudança. Como o hotel está pago até ao fim do mês, temos tempo para tratar de tudo com calma.

E, naturalmente, teremos um quarto de hóspedes para os amigos que nos queiram visitar em São Paulo.

Tuesday, 5 October 2010

Feliz Aniversário


A República faz hoje 100 anos o que, em termos de um regime político, nos tempos conturbados que vivemos, já é qualquer coisa.

Embora a nossa República não tenha tido uma vida particularmente feliz, desde os desmandos dos seus primeiros anos, passando pelos 48 anos do Estado Novo e, agora, nesta versão de crise perpétua, a República tem uma grande virtude: é republicana.

Ao contrário da Monarquia, na República o vértice da representação do Estado está aberto a qualquer pessoa que, tendo as suas qualidades reconhecidas pelos seus pares, o ocupará temporariamente. Ao contrário da Monarquia, o critério de ocupação da mais alta instituição do Estado é a vontade de quem lá vive e não um acidente de nascimento.

Com todos os seus defeitos, problemas e falhas, a República não exclui ninguém por razões alheias a cada um de nós. E essa virtude, por mais que se racionalize, a Monarquia não consegue igualar.

Por isso, Feliz Aniversário Senhora República, que conte muitos mais.

Monday, 4 October 2010

Ryder Cup


Bravo Europa.

Um belo dia


Fez ontem 20 anos sobre o dia da reunificação Alemã. Depois de décadas de guerra fria, a Alemanha Democrática sossobrou e os alemães e, com eles a Europa, reencontraram-se no centro de Berlim.

Para quem, como eu, nasceu no final da década de 60, a divisão da Europa era um facto da vida, tão certo e imutável como as marés. Afinal, o Muro caiu, a Alemanha recuperou a sua unidade, a União Soviética fechou as portas e nem uma bala foi disparada.

Há dias assim. Não são muitos, mas há.

O efeito Marina


As eleições presidênciais brasileiras de ontem resultaram, ao contrário das previsões publicadas no próprio dia, - no Brasil, as sondagens podem ser publicadas até ao dia da eleição - na necessidade de uma segunda volta que terá lugar no dia 31 de Outubro entre os candidatos do PT e do PSDB.

Olhando para as sondagens de ontem - que davam à candidata do PT, Dilma Rousseff, 50% dos votos; ao candidato do PSDB, José Serra, 31% e à candidata do PV, Marina Silva, 17% dos votos - e para os resultados, há uma transferência quase directa de votos do PT para o PV. Segundo as várias análises dos comentadores nas televisões brasileiras, a explicação está na reacção de um eleitorado mais sofisticado e urbano ao escandalo recente que abalou a Casa Civil do Presidente Lula e que atingiu a candidata do PT.

Veremos para onde se deslocarão os 20% de eleitores que votaram PV na primeira volta. Ao contrário do que se pensava, ainda muita água vai correr debaixo desta ponte.

Sunday, 3 October 2010

Panoramix, MBE


O Reino Unido acaba de conceder o estatuto de Religião Oficial ao druidismo, colocando-o, para todos os efeitos legais e fiscais, ao mesmo nível das grandes Religiões monoteistas, do Hinduismo entre outras.

Baseada no ideia da existências de espíritos no mundo natural, o druidismo era a religião originais das ilhas britânicas e tem conhecido um aumento significativo de apoiantes, reflexo da diminuição da importância das religiões tradicionais e do aumento das preocupações ambientais.

Nada como os bifes para transformarem Panoramix num Member of the British Empire.

Saturday, 2 October 2010

Good Value for Money


Depois de quase 3 anos a trabalhar diariamente com empresas portuguesas e a estudar as características do mercado britânico, acho que aprendi uma lição sobre a nossa economia sobre a qual tiro algumas ilações para o futuro.

Portugal é, como se sabe, uma pequena economia de 10 milhões de consumidores, o que significa que o mercado interno não é suficiente para garantir o crescimento económico que, por sua vez, gera riqueza e cria empregos. Exportar é, portanto, a solução. Nada disto é novidade e todos, desde o Governo à OCDE, o dizem.

Mas exportar é competir com países que têm, entre outras, condições sociais de produção, de acesso a recursos e de capacidade de produção extensiva muito diferentes das nossas. Competir no mercado aberto não é um exercício justo ou equilibrado. Cada um tem as cartas que tem e é com elas que terá que jogar.

No nosso caso, raros serão os casos em que Portugal e as suas empresas poderão competir em termos de preço ou de quantidade dos bens, serviços ou produtos que exportamos. Haverá quase sempre quem venda mais barato do que nós e quem consiga produzir maior quantidade do que nós. Se não somos concorrenciais no preço e na quantidade resta-nos sermos competitivos na qualidade.

Portugal e as suas empresas têm que encontrar nichos de qualidade, onde o preço é factor menor e a quantidade não é considerada. Os ingleses têm uma bela expressão que se aplica perfeitamente ao nicho de mercado que devemos procurar: “good value for money” , ou seja, o consumidor esta disposto a pagar o que considerar justo pelo bem, produto ou serviço que quer, mesmo que o preço seja alto.

Ao longo dos 3 anos que estive em Londres pude testemunhar a qualidade, o dinamismo, a modernidade e o profissionalismo de muitas empresas portuguesas, dos sectores mais tradicionais aos mais inovadores, e a forma como ganharam clientes e negócios num mercado tão competitivo e exigente como o britânico, numa altura tão difícil como os anos da crise. Infelizmente, as empresas que trabalham o nicho da qualidade eram a minoria.

O nicho da qualidade é difícil, exigente e não permite erros, improvisos ou enganos. Mas é o nicho que temos que ocupar.

Friday, 1 October 2010

Casa nova


Eis-nos bem chegados às Terras de Vera Cruz, mais precisamente ao Hotel George V Casa Branca (na fotografia), nossa "casa" durante pelo menos 1 mês em São Paulo.

Após uma viagem longa mas sem nenhum evento digno de registo, fomos recebidos à porta do avião pelo Paulo Machado - Director do Turismo em SP -, o que significou passaramos pelos passaportes e alfândega sem qualquer problema ou contratempo. Cá fora estava a Valéria, minha PA na AICEP.

No caminho para o centro da cidade, fui olhando pela janela do carro com muita atenção, mas com poucas excepções, como o Edifício Bradesco, a Pinacoteca do Estado ou o MASP, não reconheci nada de São Paulo. De facto, 30 anos muda tudo!

Fomos directos ao Hotel onde tomei um longo e revigorante banho e fui trabalhar pois tinha já duas reuniões marcadas. O escritório, a uns 700 metros a pé do Hotel, ocupa metade do edifício do consulado de Portugal em SP. Uma vivenda bem localizada nos Jardins Paulistas, tem um belo jardim japones nas traseiras, cheio de árvores. Em termos de instalações, não me posso queixar.

Veremos se o resto da experiência tupi-guarani corre tão bem como o primeiro dia.

Thursday, 30 September 2010

Da Velha Albion às Terras de Vera Cruz


Hoje é o meu último dia em Londres. Quando acordar, amanhã de manhã, já estarei em São Paulo, nas Terras de Vera Cruz, de onde escreverei este blog, agora com o seu novo título. Espero que o leitor ou leitores que têm acompanhado estas notas continuem a faze-lo. Prometo continuar a escreve-lo.

Tuesday, 28 September 2010

Fechando a porta


Hoje às 9H00 da manhã, três homens da companhia de mudanças entraram pela porta a dentro para começar a empacotar as nossas coisas. Sala, quartos, cozinha e casas de banho foram rapidamente inspeccionadas e as coisas que seguem viagem devidamente identificadas. Depois, em poucas horas, a nossa vida de quase três anos despareceu em caixas, caixinhas e caixotes com profissionalismo e sem erros.

Embora os caixotes espalhados pela casa sejam sinal óbvio da nossa partida, só quando fizemos o check-in num hotel perto de casa onde ficaremos até 5ª feira é que percebi, finalmente, que a nossa estada em Londres está a acabar. Quem mora numa cidade não fica em hoteis e nós, agora, ficamos num hotel quando estamos em Londres. Passámos a ser turistas nesta nossa cidade.

Tenho a certeza que São Paulo será, também, "a nossa cidade" como são Lisboa, Bristol, em menor medida Dili e, agora, Londres. Mas não deixo de olhar com pena para as ruas, parques, livrarias, cinemas, supermercados e outros lugares que fizeram parte do nosso dia-a-dia durante estes anos e que agora serão memórias e fotografias.

Monday, 27 September 2010

Ed Miliband


O Partido Trabalhista acaba de eleger Ed Miliband - ex-Ministro da Energia - como o seu novo lider, batendo o seu irmão mais velho David - ex-Ministro dos Negócios Estrangeiros - por menos de 2% dos votos, o que tem alimentado uma nova profissão nos canais de notícias: os psiquiatras que falam sobre rivalidades entre irmãos.

A vitória de Ed Miliband, deveu-se à importância dos Sindicatos no sistema de eleições do Labour, de tal forma que os Trabalhistas e o próprio líder passaram o fim-de-semana a negarem que o partido tenha virado significativamente à esquerda e tenha abandonado o centro, onde se ganham as eleições.

Mais ou menos à esquerda, a vitório do Miliband mais novo representa a derrota do New Labour que deu aos Trabalhistas várias vitórias eleitorais seguidas. Haverá alegria em Downing Street?

Sunday, 26 September 2010

Ao domingo não há motards


À medida que se aproxima a partida para o Brasil, vamos tentando completar uma lista de "TO-DOs" em Londres. Hoje fui ao Ace London Cafe, considerado O lugar de encontro dos motards da cidade.

O dia não podia estar pior, com chuva, frio e vento, mas nada disso me desanimou e lá fui, no meio de um transito medonho, para uma zone com mau aspecto e vizinhança onde fica o Ace, a norte de Londres.

Lá chegado, perante as 6 pessoas com um ar cheio de frio que bebiam tristemente uma cervejas... fui à casa de banho e voltei para casa.

Espero que noutros dias e com melhor tempo, o Ace London Cafe mereça a fama que tem e que aparece na fotografia que tirei da internet.


Mas, pelos vistos, ao Domingo, o motard está em casa com a família!

Friday, 24 September 2010

Os últimos dias


Aproxima-se a partida. Já falta meno de uma semana para chegarmos a São Paulo. Os últimos dias são sempre um caos e, no nosso caso, não será diferente.

Primeiro o escritório na AICEP: ver todos os papéis, decidir o que devo levar, o que deve ficar e o que deve ir para o lixo. Alterar as assinaturas nos bancos, fechar as contas e preparar a transferência das responsabilidades do Centro de Negócios de Londres. Limpar o computador, fazendo back-ups e apagando o que é pessoal e arrumando o desktop por forma a alguém se entender com os ficheiros. Escrever a todas as pessoas com quem trabalhei a agradecer e a despedir-me, e mais um mundo de coisas. O que me vale são as pessoas com quem trabalho e que me têm ajudado em todas estas tarefas.

Depois, a mudança em casa: separar o que é nosso do que é do senhorio; deitar fora o que é para ir para o lixo; dar o que não vamos levar e que está bom; decidir o que vai conosco no avião e o que vai lá ter na mudança; cancelar os contractos e as assinaturas; organizar o reenvio da correspondência para o Brasil; marcar um hotel para os dias em que os homens das mudanças irão empacotar a nossa vida inglesa e sabe deus o que mais.

Não sei se chego vivo à Terra de Vera Cruz!!!

Monday, 20 September 2010

O grande armário


Outro dia ouvi alguém na televisão a comentar que nos anos 80 quando estava casado com uma mulher, Elton John estava tão dentro do armário que passava metade da semana em Narnia!

As virtudes do secularismo


A visita oficial do Papa Bento XVI ao Reino Unido correu, por várias razões das quais elenco as mais relevantes, muito melhor do que se esperava:

1. O Papa não fugiu dos assuntos polémicos nem fingiu que não há problemas sérios na Igreja, nomeadamente os crimes de pedofilia praticados por padres e a reacção da hierarquia, que encheu as páginas dos jornais durante semanas a fio e que prometia envenenar todo o programa.

2. Mesmo sendo complicado participar nas cerimónias públicas, já que os fiéis só tinham acesso aos recintos da vigília de Hyde Park e da missa em Birmingham se estivessem enquadrados pelas respectivas paróquias, as expectativas das autoridades em termos de números de presentes foram largamente ultrapassadas em todas as aparições do Papa. A tal ponto que o Presidente da Associação dos Agnósticos foi para a BBC dizer coisas ridículas como “são quase todos turistas” e outras patetices do género.

3. A “grande” manifestação contra a presença do Papa, que congregava a coligação negativa mais variada – activistas dos direitos das mulheres, dos homossexuais, pessoas contra a moral sexual da igreja, aqueles que não concordam com a política de planeamento familiar propostas pelo Vaticano, a esquerda mais aguerrida, os agnósticos militantes e os anglicanos mais fervorosos, para nomear apenas alguns - reuniu algumas centenas de pessoas, o que é manifestamente pouco quando consideramos a variedade de temas e razões de queixa representadas.

4. A reunião entre o Papa e o Arcebispo de Cantuária, Primaz da Igreja Anglicana, correu particularmente bem, considerando as queixas da hierarquia anglicana contra o mecanismo criado pelo Vaticano que facilita o ingresso na Igreja Católica dos pastores da Igreja de Inglaterra que estejam contra a ordenação de mulheres e de homossexuais para o bispado.

Duas razões parecem-me relevantes para explicar este sucesso. Por um lado, a qualidade e a coragem intelectual do Papa Bento VI que não negou as evidências, assumiu as dificuldades e enfrentou os problemas de frente. Por outro lado, o Reino Unido, sem prejuízo para o facto de ser a única democracia ocidental onde existe uma igreja oficial e o Chefe de Estado é o Chefe da Igreja, é uma sociedade completamente secularizada onde cada um é livre de rezar – em público ou em privado – ao Deus que entenda e ninguém tem nada a ver com isso.

Há quem veja nisso um problema. Eu acho que é uma virtude.

Saturday, 18 September 2010

Bodas de Rosa


Abrindo uma excepção à regra de nunca falar de coisas pessoais, a Margarida e eu fazemos hoje Bodas de Rosa, ou seja, 17 anos de casados. E que bom que têm sido.

Friday, 17 September 2010

Witty banter


A televisão britânica está cheia de programas de "witty banter", que se traduz mais ou menos por "ironia espirituosa" onde um ou vários comediantes comentam, com graça e inteligencia, as notícias do dia ou outros temas variados. Programas como "Mock the Week" (na imagem), "Have I got News for You" ou "QI" fazem assinalável sucesso, justificando um canal de televisão por cabo quase exclusivamente dedicado à witty banter.

Hoje, a Margarida e eu fomos ao teatro Apolo - catedral londrina da witty banter - ouvir Dara O'Brian - o careca grandalhão no centro da fotografia - contar histórias e dizer graças durante 2 horas para uma sala completamente cheia e rendida. Uma bela e muito divertida noite.

Vou ter saudades da witty banter quando for para o Brasil.

Wednesday, 15 September 2010

OVNIs à vista


A Royal Air Force publicou um grosso volume onde constam todos os relatos de contactos com OVNIs ocorridos no Reino Unido e acrescentou que nenhum deles mereceu ser investigado mais a fundo, nomeadamente um onde a testemunha - concedendo que estava bêbado - informou ter visto luzes no céu à noite junto a Gatwick, o segundo mais importante aeroporto de Londres.

Sunday, 12 September 2010

A última noite dos Proms


Há dois anos, a Margarida e eu fomos à última noite dos Proms no Royal Albert Hall onde nos divertimos muito a cantar músicas como "Land of Hope and Glory" ou "Rule Brittania".

Ontem voltámos à última noite dos Proms, mas desta vez fomos para a versão popular em Hyde Park, onde cantámos as mesmas músicas, desta vez na companhia de 40 mil pessoas e vimos (e ouvimos) José Carreras, Kiri Te Kanawa, Brian May (guitarrista dos Queen) e Neil Sadaka (autor de um sem número de sucessos populares, tais como "Carol") e que, para espanto meu, foi o mais divertido e merecidamente aplaudido.

A noite teve ainda um outro Highlight: para alegria do meu sobrinho Sebastião (que é um grande apoiante do Liverpool e a quem telefonei na altura), cantámos "You Will Never Walk Alone" que é originalmente uma composição de Hammerstein e que foi adoptado como hino do Liverpool nos anos 60.

A última noite dos Proms, seja ela na versão mais chique do Royal Albert Hall ou na versão mais popular de Hyde Park é uma manifestação de patriotismo amigo, que não excluí ninguém - o Maestro era Checo e havia pelo menos uma bandeira portuguesa em Hyde Park - e onde partilhamaos o desejo que os "britons never shall be slaves".

The Trouble


Para quem não sabe, as quase 4 décadas de conflito entre católitos independentistas e protestantes monarquistas na Irlanda do Norte é eufemisticamente conhecido como "the troubles".

Na sexta-feira passada fui a Belfast para uma conferência sobre investimento em Portugal e o fim da conferência, na companhia de mais duas pessoas, alugámos um taxi e pedimos para ver os locais do conflito e, em particular, os murais que enchem as paredes de Belfast. Les, o nosso motorista (católico), prontificou-se a levar-nos aos locais mais relevantes e foi contando algumas histórias que nos deixaram completamente atordoados. Contando ter perdido um Tio e o seu irmão mais velho ter emigrado para os Estados Unidos para fugir à violencia, Les acrescentou que os Acordos da Sexta-feira Santa são apoiados pela esmagadora maioria dos Irlandeses do Norte e que o filho dele, que tem 8 anos, não sabe o que foram "os troubles".

A cidade estava (e ainda está) dividida entre as duas comunidades à distância de uma rua, de tal forma que ainda hoje existem muros altíssimos que dividem cidade.


O passeio por Belfast, que durou cerca de duas horas e incluiu áreas e murais nas duas comunidades, é muito angustiante e a violência e o ódio parece ainda viver nas paredes e nos muros da Cidade. E tudo isto teve lugar até há 12 anos no educado Reino Unido, membro da pacífica União Europeia.

Por mais mais civilizados que sejamos, a besta humana está sempre por perto.

Thursday, 9 September 2010

Nada como uma boa fila


Ontem fui ter uma reunião em Canary Wharf, o novo centro financeiro de Londres, a leste da City. Como só me despachei por volta das 5H30 da tarde, apanhei a hora de ponta, com centenas de pessoas a sairem dos escritórios e, tal como eu, a dirigirem-se para o metro.

Lá chegado, deparo-me com o mais acabado exemplo de auto-organização britânica. Ao longo da plataforma, à frento dos locais onde as portas de cada carruagem ficariam, longas e ordeiras filas de passageiros esperam a sua vez de embarcar.

Como dizia Andy Parsons, um comediante britânico, há duas coisas que os bifes adoram: criar uma boa fila e queixarem-se de estar na fila.

Wednesday, 8 September 2010

Vidas e memórias


De entre os incontáveis géneros literários disponíveis a minha preferência vai, sem dúvidas, para as biografias, memórias, diários e outras variantes sobre o mesmo tema pois, embora corramos sempre o risco de lermos odes a alguém ou auto-justificações desequilibradas quando procuramos análises desapaixonadas, mesmo aquelas permitem perceber as condicionantes e as variáves que levaram alguém a agir de uma forma e não de outra.

Neste verão li as memórias de Fernando Henrique Cardoso que, embora muito focada no chamado Plano Real, ajuda a perceber o sistema político brasileiro e a biografia sobre Sérgio Vieira de Mello escrita por Samantha Powell que, sem prejuízo para a quase adoração da escritora pelo biografado, percorre os principais conflitos e dramas humanitários das últimas décadas e apresenta uma faceta da ONU que merece o nosso respeito e admiração. Agora estou a ler a biografia sobre Salazar de Filipe Ribeiro de Menezes e tenho na mesa de cabeceira as memórias de Peter Mandelson e de Tony Blair, duas das três principais figuras da política britânica dos últimos 12 anos.

O Reino Unido é particularmente rico neste nicho literário, já que não há ninguém que não publique as suas memórias, mesmo aqueles que manifestamente nada têm para dizer e em Portugal (ou em português) começa a aparecer uma vasta bibliografia memorialista que preenche uma lacuna importante nas estantes das nossas livrarias. Veremos como é o Brasil sendo certo que há sempre a Amazon.

Tuesday, 7 September 2010

O início da partida


Faltam 3 semanas para partimos para o Brasil e comecei a cancelar os contratos da água, luz, telefone, etc e já temos companhia de mudanças. Aproxima-se o fim de um ciclo e o início de outro.

Só espero que o próximo seja tão bom como o actual.

O criador de consensos


Do Papa Bento XVI ao Bloco de Esquerda, passando pela União Europeia, pela opinião publicada e pública e até por membros do próprio Governo Francês, não falta quem condene a política de segurança do Presidente Sarkozy. Não é fácil conseguir criar tamanho consenso!

Thursday, 12 August 2010